BIM 5D: Orçamentação Integrada com Custos – Controle Financeiro em Tempo Real

O BIM 5D integra a quinta dimensão (custos) ao modelo 4D (3D + tempo). Dessa forma, a equipe passa a simular não apenas quando a obra será executada, mas também quanto cada etapa efetivamente custará. Com isso, o cronograma deixa de ser exclusivamente temporal e passa a refletir, de maneira clara, o impacto financeiro de cada decisão de planejamento.

Na prática, muitas construtoras percebem que determinadas sequências construtivas reduzem prazos, porém elevam custos. Nesse cenário, o BIM 5D torna visível esse trade-off, permitindo decisões técnicas mais equilibradas.

Por esse motivo, este guia apresenta a implementação profissional do BIM 5D, abordando desde a extração de quantitativos até a simulação de cenários financeiros e o controle do fluxo de caixa.


O Que É BIM 5D? A Quinta Dimensão: Custos

O BIM 5D vincula custos diretamente aos elementos do modelo 3D e às atividades do cronograma 4D. Assim, a equipe constrói uma simulação integrada de tempo e custo, capaz de demonstrar o impacto financeiro real de cada decisão.

Em contraste, no orçamento tradicional, planilhas permanecem desconectadas do planejamento. Já no BIM 5D, essa integração ocorre de forma dinâmica. Sempre que o cronograma sofre ajustes no Navisworks, o sistema recalcula automaticamente os custos e o fluxo de caixa.

Equação do BIM 5D

BIM 5D = 3D (Geometria) + 4D (Cronograma) + 5D (Custos)

Consequentemente, essas dimensões passam a operar de forma integrada.
Enquanto a geometria define quantidades, o cronograma organiza a sequência e a duração.
Ao mesmo tempo, os custos evidenciam o impacto financeiro de cada escolha técnica.


Fluxo de Trabalho Completo: Revit → Navisworks → Análise Financeira

Para que o BIM 5D funcione corretamente, a equipe deve seguir um fluxo de trabalho estruturado. Nesse sentido, o processo envolve ferramentas específicas e etapas bem definidas.


Etapa 1: Modelagem 3D com Precisão de Quantitativos

Primeiramente, o modelo desenvolvido no Revit precisa considerar a extração futura de quantitativos. Caso contrário, erros se propagam para todas as etapas seguintes.

Para garantir consistência, alguns requisitos tornam-se indispensáveis:

  • Nomenclatura clara para rastreabilidade
  • Propriedades paramétricas completas
  • Separação por disciplina (arquitetura, estrutura e MEP)
  • Nível de desenvolvimento mínimo LOD 300
  • Codificação alinhada ao SINAPI

Em síntese, quanto maior a qualidade da modelagem, maior será a confiabilidade do orçamento.


Etapa 2: Extração Automática de Quantitativos

Após a modelagem, o Revit permite extrair quantitativos automaticamente por meio de tabelas. Dessa maneira, elimina-se grande parte do trabalho manual.

O processo ocorre em etapas claras:

  1. Inicialmente, cria-se uma tabela no Revit
  2. Em seguida, selecionam-se os elementos desejados
  3. Depois disso, definem-se os parâmetros relevantes
  4. Na sequência, o software gera a tabela automaticamente
  5. Por fim, exportam-se os dados para Excel ou CSV

Exemplo de tabela extraída:

ElementoTipoQuantidadeMaterialDescrição
Porta 1Madeira40 unMadeira 70mmPorta interna 0,80×2,10
Porta 2Aço10 unAço 3mmPorta corta-fogo 0,90×2,10
Janela 1Vidro120 unVidro 6mmJanela 1,50×1,20

Enquanto isso, um levantamento manual consome horas ou dias. Em contrapartida, o BIM entrega os mesmos dados em minutos.


Etapa 3: Vinculação de Quantitativos a Custos Unitários

Com os quantitativos extraídos, a equipe vincula cada item a um custo unitário. Para isso, utiliza bases de referência confiáveis.

Entre as principais fontes, destacam-se:

  • SINAPI
  • CUB
  • Composições próprias
  • Cotações específicas de mercado

Nesse contexto, o Navisworks permite importar essas tabelas e automatizar a vinculação dos custos.


Etapa 4: Integração com o Cronograma 4D

A partir dessa integração, cada atividade do cronograma passa a incorporar um custo. Assim, forma-se o cronograma físico-financeiro.

AtividadeDuraçãoCustoPeríodo
Fundação30 diasR$ 800.000Jan 1–30
Estrutura Andar 120 diasR$ 1.200.000Fev 2–21
Alvenaria Andar 125 diasR$ 600.000Fev 22–Mar 18
Cobertura15 diasR$ 900.000Abr 1–15

Etapa 5: Simulação no Navisworks e Curva S

Com todas as informações integradas, o Navisworks permite visualizar o fluxo financeiro ao longo do tempo. Dessa forma, a Curva S passa a representar fielmente o comportamento econômico da obra.

De modo geral, a curva indica investimento elevado no início, aceleração no meio e redução gradual no encerramento.


Etapa 6: Análise Financeira e Fluxo de Caixa

Com o BIM 5D, a equipe responde perguntas estratégicas com base em dados reais. Por exemplo:

  • Qual capital de giro será necessário?
  • Qual o impacto financeiro de acelerar uma fase específica?
  • Qual sequência construtiva resulta em menor custo total?

Assim, as decisões deixam de ser intuitivas e passam a ser técnicas e mensuráveis.


Conclusão: BIM 5D é Ferramenta Estratégica

Em síntese, o BIM 5D transforma a orçamentação em um processo dinâmico e estratégico. Como resultado, construtoras que dominam essa metodologia tomam decisões mais seguras, rápidas e lucrativas.

Portanto, ao gerar economias recorrentes entre 5% e 10% no custo final da obra e apresentar retorno de investimento em até dois anos, o BIM 5D deixa de ser opcional.

Por outro lado, insistir em orçamentos 2D isolados compromete a competitividade técnica e financeira no mercado atual.

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